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Teste WordPress para iOS

Testando a publicação pelo iPhone com o app do WordPress.

MESA.

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Como fazer o Google Chrome avisar ao fechar múltiplas abas

No post sobre como recuperar a opção de salvar abas ao sair do Firefox 4 em diante comentei sobre a inexplicável ausência de um aviso no Google Chrome ao se clicar no botão fechar com múltiplas abas abertas. O Chrome simplesmente fecha.

Até existe a opção de recuperar as abas que estavam abertas ao se iniciar nova sessão – ele se lembra.

Chrome Recently ClosedMesmo assim é extremamente inconveniente clicar no botão fechar acidentalmente e ter que abrir tudo de novo. Muito melhor seria se houvesse um aviso que permitisse cancelar o fechamento.

Pois existe, mas não oficialmente e sim na forma de uma extensão para o Chrome criada pelo próprio Google, a Chrome Toolbox. Depois de instalada é acessível por um botão ao lado do botão de configuração do Chrome. Tem vários recursos e, entre eles, a opção Confirmar antes de fechar múltiplas abas, que já vem selecionada por default.

Chrome Toolbox

 

Aviso ao fechar abas do Chrome

Outra opção legal é a de não fechar o Chrome ao se fechar a última aba. Em vez disso, ele abre uma nova aba em branco.

O ideal seria que essas opções fizessem parte do navegador, mas pelo menos estão disponíveis como extensão da casa.

Como curiosidade, na página do Chrome Toolbox há o seguinte aviso:

Esta extensão pode acessar:

  • Seus dados em todos os sites
  • Atividade de suas guias e de navegação
  • Todos os dados do seu computador e dos sites que você visita
  • Seus favoritos

O divertido é ver as reações na área de comentários: gente dizendo que jamais vai instalar uma extensão que faça essas coisas. Como se o próprio Chrome não fizesse isso tudo… :)

 

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Rogerio Skylab no Centro Cultural São Paulo – Skylab X

O último suspiro. Último show da série Skylab em São Paulo. Dois suspiros, na verdade: sábado e domingo.

O único show que eu havia assistido até semana passada tinha sido o do lançamento do DVD, em 2009. Nessa ocasião o set list foi sido um pouco diferente do show de gravação do DVD, com várias músicas dos novos projetos (Orquestra Zé Felipe e Skygirls), e muita coisa que eu queria ouvir foi deixada de lado. Dessa vez, foi exatamente como eu esperava: repertório variado sem aquelas escolhas óbvias, músicas das quais o próprio Skylab já vem querendo se distanciar um pouco, mas que parte do público insiste em trazer de volta.

Falo dos 2 primeiros discos. Muita gente estacionou no Skylab II e não consegue sair dali (possível referência do novo vídeo, “Eu não consigo sair daqui“?). Geralmente é o pessoal que insiste em colar o infame rótulo trash na testa do músico. Insisto: o diagnóstico aqui é preguiça. A obra é muito mais vasta do que o II, diria que começa mesmo no III. Basta ouvir.

O set list passou por quase todos os discos. Várias das minhas favoritas, como Dedo, Língua, Cu e Boceta, Num Banco da Praça, Fátima Bernardes Experiência e Herbert Vianna. E dessa vez ele limou Matador de Passarinho, para alívio de boa parte dos fãs, incluíndo este que vos escreve.

Sábado

No sábado cheguei um pouco em cima da hora e acabei ficando na parte de cima, da mesma forma que no show de 2009. Boa visibilidade, mas faltava a proximidade do palco.

Antes de entrar, ainda pude ver a passagem de som: Skylab cantava Eu Roubei a Gravata? e 2 pessoas chamavam atenção: uma mulher com traje gótico-futurista fazia uma coreografia e repetia uma variação do refrão e um cara fazia efeitos eletrônicos meio espaciais em um Moog. Pelo jeito seriam os convidados da noite. A outra novidade era a baixista Elisa, do Skygirls.

Skylab e banda passando o som

Começa o show e o público pede Câncer no Cu aos berros. Em vão. Outros pedem Glóoooria Maria, esses foram atendidos. A abertura foi com Corpo e Membro Sem Cabeça e logo em seguida já emendaram o mantra Dedo, Língua, Cu e Boceta. Essa é uma das minhas favoritas e às vezes costumo ouvir em loop por tempo indeterminado. Outras vezes faço um pavê de 2 ou 3 camadas com essa faixa. Recomendo.

Segue o show. Duas faixas da Orquestra Zé Felipe: Boceta Dominante ou Dominada e Tem Cigarro Aí? Ambas funcionam muito bem ao vivo, especialmente a segunda: já faz parte da execução o público atirar cigarros no palco. Matadouro das Almas dessa vez não teve a faca: ele atacou a vítima com uma baqueta. Na comunidade do Orkut especulações sobre uma “nova diretoria” no CCSP que teria barrado a faca. Mas não chegou a ser um problema, já que a grande performance da noite se daria em O Corvo: a cenoura, já vista na entrevista ao Jô Soares.

Falando na cenoura, achei que a performance no Jô ficou até melhor do que no show, onde ele ficou chupando a cenoura naquela já característica simulação. No Jô, provavelmente para adequar ao padrão Globo, ele se limitou a morder e mastigar a cenoura, comendo com olhar fixo e ensandecido. Achei que ficou bem mais a cara da música.

Então, chega a hora da gravata e Skylab chama seus 2 convidados: a menina era Karina Alexandrino, artista cearense que ele ouviu, gostou e convidou para fazer a performance. O tecladista era Astronauta Pinguim, que tocou com Júpiter Maçã e tem trabalho próprio em uma linha que lembra bastante os microfonais do Supersimetria. Aproveitaram para gravar um vídeo durante a apresentação.

Pra encerrar, como já vinha acontecendo em outros shows, tocaram Eu e Minha Ex, do próprio Júpiter Maçã. Banda afiada como sempre e Elisa com ótima presença de palco.

Terminado o show, palco sujo de cenoura e fãs disputando a parte que não foi comida. Vou até o stand comprar o Skylab X e o livro e desço até o camarim para pegar autógrafo no livro. Me apresento e Rogério parabeniza a iniciativa do Portão do Daminhão e elogia o próprio Supersimetria. Registro o momento e a foto, claro, sai fora de foco, como aquela tirada no show conceitual do Supersimetria.

No camarim com Rogerio Skylab

Parece que é minha sina sair em fotos desfocadas, começo a ver isso como uma estética própria. Não tem o menor problema, o que vale é o registro e até que o efeito da foto ficou interessante. Para fotos de verdade do show, veja o Flickr de Edu Guimarães e Bel Gasparotto.

Rogério é extremamente simpático e acessível, contrastando com a imagem de maluco e esquisito que inevitavelmente se faz dele, principalmente por quem só ouve o som de passagem ou só pesca alguns momentos, como a explosiva e hilária declaração contra as auto-biografias no Programa do Jô. Não é raro artistas de grande nome venderem uma imagem de sorrisos e, no contato pessoal, revelarem escrotidão infinta. Que cada um tire a conclusão que quiser, ou puder.

Domingo

Domingo não vacilei: cheguei uma hora antes e garanti lugar na frente. É onde fica o pessoal mais participativo, digamos assim, durante Carrocinha de Cachorro Quente. A única diferença foi o acréscimo de Motosserra, homenagem ao Dia dos Namorados. O resto do set list foi idêntico. Nova gravação durante Eu Roubei a Gravata? e a cenoura em ação novamente. Antes de anunciar a última faixa, Rogério cita a quase obrigatoriedade do Bis em shows e diz que nunca fez isso e nunca vai fazer. Mas consta que fez no Rio. Encerra novamente com Eu e Minha Ex.

Ainda tento comprar outros discos da série, mas quando chego ao stand vejo que esgotou tudo. Fico ligeiramente decepcionado e ao mesmo tempo bastante feliz por ver que o público botou mesmo a mão no bolso.

Agora é ler o livro, aguardar o vídeo gravado nos shows e torcer para que Skylab e suas bandas continuem fazendo música.

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Como recuperar a opção Salvar Abas ao Sair no Firefox 4 e 5

Até a versão 3.6.18 o Firefox exibia automaticamente uma opção de salvar abas abertas ao fechar o navegador, caso houvesse mais de uma aba aberta. Escolhendo Salvar e Sair era possível salvar o endereço de todas as abas abertas, e ao abrir o navegador novamente elas eram carregadas automaticamente. Escolhendo apenas Sair, nenhuma aba era salva.

Opção muito útil, tanto que era considerada um procedimento natural de qualquer navegador. E o que a Mozilla faz? Esconde essa opção do Firefox 4 em diante. Não me pergunte. Ou foi algum executivo de marketing ou algum desenvolvedor com compreensão zero de usabilidade. Ou tudo isso junto.

A única coisa que o Firefox 4 manteve foi o aviso de que há várias abas abertas ao sair. O que já é muito mais do que o Chrome oferece, ou seja: absolutamente nada.

Felizmente, é muito fácil recuperar a opção de Salvar e Sair. Basta se aventurar pelas configurações avançadas, o que não costuma ser o fim do mundo para quem mostrou grau evolucionário suficiente para optar pelo Firefox ao invés do “ícone azul da internet”. Eis os passos:

1 – Na barra de endereços, digite about:config

2 – Na tela seguinte, clique o botão Serei cuidadoso, prometo!

3 – Na tela seguinte, no campo Filtro digite browser.showQuitWarning

4 – Na linha que é exibida, dê um duplo clique ou clique com o botão direito e selecione Inverter valor.

Está feito. Nem é preciso reiniciar o Firefox. A opção de salvar abas ao sair  está de volta.

 

Salvar abas ao sair

 

Por sinal, a Mozilla não mostra sinais de querer reverter essa besteira. No Firefox 6 Beta 2 ela permanece oculta.

Continua sendo melhor que o Chrome, que na versão 13 ainda pratica uma tremenda trollagem, sacanagem e safadeza: não dá qualquer aviso e simplesmente fecha todas as abas na cara do usuário. E nem mesmo oferece essa opção nas configurações.

Update: existe uma extensão para o Chrome, do próprio Google, que tem essa opção: é o Chrome Toolbox.

 

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Dia Mundial do Rock

Para o Dia Mundial do Rock 2011, mantendo a tradição do blog, eis o vídeo de You Suffer, do Napalm Death, em uma releitura. Estrelando Hans Moleman:

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Options for the Architecture of the Species

Options for the Architecture of the Species

O tempo é elástico e é fácil pular de 2005 para 2007 em busca de material para uma resenha que foi esboçada em 2009 e que só viu a luz do dia em 2011. Parece muito tempo? Nesse breve instante Saturno não completou nem meia volta, e o ex-planeta Plutão mal saiu do lugar.  O que segue vem logo depois das fases Branca e Preta.

Options for the Architecture of the Species é mais um disco solo de Rob Ranches, com material de 2005, de uma fase bastante voltada à experiença eletrônica.

Já aviso que esse é um disco eletrônico. Portanto, guerrilheiros da guitarra fiquem longe ou abracem o capeta de vez.

Eletrônico, nesse caso, não significa cair na monotonia do bate-estaca. Portanto, eventuais guerrilheiros das pistas podem esquecer, não é um disco dançante. A menos que você dance com ritmos que chegam e somem repentinamente, deixando o ouvinte em um vazio que é preenchido logo em seguida com frases disformes e loops em diversos graus de obsessão repetitiva.

Options tem ritmo (e ritimo), loops em profusão, de[s(in)]formação e a ausência de microfonais, que foram colocados em suspensão sonora na época. Sem listar todas as 14 faixas, eis aqui impressões sobre as que se destacam:

O eletrônico “raiz” acontece em Som[Ar]{ter[ia(l)]} e em menor escala em Remedy, faixa que abre o disco.

O tema meio melancólico de Forja é repetido em de[s(in)]formação com nova roupagem. Em ElectroZion um pulso onipresente marca aparições breves de loops minimalistas. E se em Kill Bill é possível perceber uma levada quase-bossa, Fornalha traz um sintetizador de fraseado rápido, quase virtuoso. Chega a lembrar Van Halen. Indiferentes a tudo isso, os loops rodam a obsessão de fundo.

Se conseguir chegar até aqui, experimente Os lamentos de Lacan: loops robóticos com um timbre sujo e aquela sensação de que alguma coisa foi configurada errado. Dá a impressão de um som fora de foco. Sinestesia pura.

Olinda apresenta um trompete que passeia sobre uma base meio preguiçosa. Se ficarmos exclusivamente no campo damiônico de definição de estilos, este poderia ser facilmente classificado como um frevo.

A capa faz menção à verdadeira dinâmica evolutiva. Por causa daquela famosa imagem do macaco que vai se levantando e se torna Homo sapiens ereto, existe uma tendência popular a acreditar que a evolução é linear, quando, na verdade, é ramificada. Razão pela qual a infame pergunta “Se a evolução é verdade, por que ainda existem macacos?” é completamente equivocada e um sinal claro de alguém que não faz a menor ideia do que seja a Teoria da Evolução.

Baixe e ouça.

Em seguida, vamos visitar uma tecelagem de som. Prometo que será antes de 2013…

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Os 7 discos mais ouvidos

Todo mundo adora listas, e um blog dedicado a som e música não pode deixar de publicar as suas.

Esta é uma lista dos 7 discos que mais tenho escutado. Não são os melhores, os maiores, nem os únicos, são apenas os que eu mais escuto atualmente. Ou seja, é mutável e vai mudar. Se bobear vira uma série.

 

A Sétima EfervescênciaA Sétima Efervescência (Júpiter Maçã) – Primeiro disco solo de Júpiter Maçã, também conhecido como Flávio Basso. Rock psicodélico que gerou até um hit, a mítica Lugar do Caralho, regravada depois por Wander Wildner com resultado bem aquém da original. Ouvi na época em que foi lançado, apresentado por um colega de trabalho. Não liguei muito e lembro que o gado corporativo ao redor tirava onda do cara que ouvia um disco estranho. Mal sabia eu o que o futuro me reservava…

 

Timbres Não Mentem JamaisTimbres Não Mentem Jamais (Marcelo Birck) – Um disco estranho, o que costuma ser bom sinal. Arranjos carregados na atonalidade, muitas vezes remetendo ao conceito de Sea of Keys, que também pode ser Sea of Strings. Me senti em casa nesses momentos. Se fosse instrumental seria talvez perfeito. Letras também estranhas, muito longe de ser um disco palatável. Como ele mesmo já avisa: “Desafinarei o que houver pra desafinar”. Se quiser um rock gaúcho mais fácil, melhor ficar com Engenheiros mesmo.

 

Skylab XSkylab X (Rogerio Skylab) – disco que fecha a série Skylab. Menos pesado que os anteriores. Mais melancólico, reflete o momento de encerramento de uma obra. A temática da morte dá o tom geral do disco, muito bem representada em O Corvo (ponto alto do show, com a épica performance da cenoura). A última faixa, Rota em Colisão, remete bastante aos microfonais. A velha obsessão repetitiva continua lá, em Cueca e Analfabeto.

 

Todos Os OlhosTodos os Olhos (Tom Zé) – Não conheço (ainda) a obra de Tom Zé. Só conheço um pouco da história, que envolve criatividade infinita, postos de gasolina, capos da música brasileira e um gringo salvador. Este é o primeiro disco que eu ouvi, e já gostei. Não tem como não gostar de alguém que já abre o disco cutucando o hábito dos músicos brasileiros de grande nome de se levar excessivamente a sério: “Ah meu Deus, vai ser sério assim no inferno”. É evidente que preciso começar uma pesquisa mais detalhada da obra desse ícone, que vai muito além de uma capa com bola de gude.

 

 

Kaitai Teki KohkanKaitai Teki Kohkan (Masayuki Takayanagi & Kaoru Abe) – Abandone qualquer esperança de melodia, você que der play nesse disco. Parceria infalível no free/noise: uma guitarra sem limites e o sax mais atormentado que um dia foi soprado.

 

 

 

VovinVovin (Therion) – Para mim o melhor disco da banda criadora do metal sinfônico. Vovin é o sucessor de Theli, disco em que a banda abraça os arranjos sinfônicos e se afasta do Death Metal cru que vinha tocando. Aqui, é justamente a parte sinfônica que atinge o auge. Com exceção de uma única faixa, o peso aparece como coadjuvante, apenas para sustentar as cordas e a interpretação lirica. O ponto alto é a majesta Draconian Trilogy, uma peça em 3 atos que canta uma ode ao dragão vermelho da ordem iniciática que a banda representa. Fecha com a bela Raven of Dispersion, o corvo de uma das esferas do Qliphoth. E a cabala pop eu deixo para Madonna e afins.

 

Regiment RagnarokRegiment Ragnarok (Panzerchrist) – Fazia muito tempo que eu não me surpreendia com uma banda de death metal. Só a Escandinávia poderia ser capaz dessa proeza. Dessa vez não é a Suécia, e sim a Dinamarca, país que carrega a culpa de ter dado Lars Ulrich ao mundo. Dessa vez se redimiram com louvor com Mads Lauridsen e seus blast beats devastadores. Chega a ser extenuante. Vocalistas também costumam cair em um inevitável lugar comum. Magnus Jørgensen contorna isso com tranquilidade e chega a lembrar Legion em Panzer Division Marduk (será que essa história de panzer inspira os vocalistas?). O resultado é um som extremo, violento, incansável e marcante. Não posso deixar de citar Ode to a Cluster Bomb, uma canção… romântica, que traz na letra uma declaração de amor a uma bomba de fragmentação. Como resistir a isso?

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Todos os olhos (Tom Zé) – A capa que foi sem nunca ter sido

Cai um mito. Na verdade, já caiu há muito tempo, mas ainda persiste por aí. Até uns dias atrás eu também acreditava. Acabei de descobrir e não posso deixar de divulgar.

Trata-se da verdade sobre a histórica capa de Todos os Olhos (1973), quarto disco de Tom Zé.

 

Todos os Olhos (Tom Zé)

 

A ideia da capa foi sugerida a Tom Zé por Décio Pignatari, poeta vanguardista e amigo do músico. A ideia era afrontar o governo militar e driblar a censura. E qual era essa ideia? Simples: a capa – que deveria aparentar um olho – seria na verdade uma bola de gude sobre um cu, também conhecido como ânus. É o que parece, mas não é o que foi feito.

Na verdade, quase foi. A foto chegou a ser feita, mas o resultado final ficou óbvio demais para enganar os censores. A solução encontrada foi fotografar a bola de gude nos lábios da mesma modelo que, apertados, lembram bem a superfície em que a bola deveria repousar. Eis que o cu que deveria imitar um olho se torna uma boca que imita o cu. E ambos remetem ao olho.

Deu tão certo que enganou o mundo inteiro, inclusive muitos blogs e leitores que, mesmo depois de informados sobre a verdadeira história, continuam afirmando ser a capa aquilo que não é.

Enganou inclusive o próprio Tom Zé! Durante muito tempo ele perpetuou o mito, até ser informado da verdade sobre a capa. Deu risada:

Hahaha! Então me enganaram esse tempo todo! F.d.p., me enganaram! Hahaha!

O mito foi desvendado em uma reportagem da revista Carta Capital, ao que parece de 2005.  A história da complicada sessão de fotos com o fotógrafo Reinaldo Moraes e sua namorada, da reação de Tom Zé ao descobrir a verdade e da recusa veemente de Décio Pignatari em falar hoje sobre o assunto pode ser lida na íntegra no Substantivo Plural.

No fim, a capa de Todos os Olhos deu mais certo do que se esperava: parece um olho, que parece um cu, que na verdade é uma boca, que parece um cu, que lembra um olho.

Dentro da capa, existe um disco

OK, a história da capa é legal, eu adoro capas, mas já deu o que tinha que dar. Recomendo que se faça com o disco aquilo que é o seu propósito. Não deixe de ouvir, porque ele não merece ser lembrado apenas pela capa. Pode ser avistado vagando por blogs de música como o Mopho Discos ou no Soulseek.

Não é exatamente uma audição fácil. Mesmo tendo um samba bem audível (Augusta, Angélica e Consolação) não tem aquelas melodiazinhas prontas para o rádio. É música experimental da melhor espécie. Ou seja, é estranho, não convencional, isento de fórmulas testadas e aprovadas. É um teste, um experimento de laboratório. Não por acaso vendeu pouco. O grande público não é dado a ciência.

Já vale a audição só por Complexo de Épico, a faixa que abre e encerra o disco (em versão estendida) e que dá uma senhora alfinetada nos medalhões da MPB que se levam a sério demais. Também não posso deixar de citar Brigitte Bardot, que lembra bastante Maria Bethânia, de Rogerio Skylab (o correto seria o inverso, mas fui conhecer Brigitte depois). Aliás, em Cu e Boca, Skylab sentencia: “Cu e Boca é tudo a mesma coisa”. Suspeito que ele ouviu bastante o disco.

E leia a resenha de Todos os Olhos no blog Música Estranha e Boa, descoberto por mim justamente quando pesquisava para este texto e já recomendado.

 

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Blog recomendado: Free Form Free Jazz

Eu achava que conhecia alguma coisa da música livre, só porque ouvia The Olatunji Concert, um pouco de Sun Ra e outro tanto de Peter Brötzmann. Até conhecer o blog Free Form Free Jazz, publicado pelo jornalista Fabrício Vieira.

Free Form Free Jazz

O Free Form, como é mais comumente conhecido, é hoje a grande referência em som livre no Brasil. Pensando bem, som livre é um ótimo nome p/ um selo de free, pena que já foi (mal) usado.

Som Livre, aqui, entenda-se principalmente como free-jazz, que é a tônica do blog. Mas está longe de ser a única vertente. O noise, principalmente o japonês, é bem representado. Música erudita contemporânea também. Foi lá que conheci nomes da envergadura de Masayuki Takayanagi e Max Gustafson.

O blog ataca em 2 frentes: resenhas e agenda de shows.

Nas resenhas, discos famosos ou nem tanto – principalmente os nem tanto. Na maior parte das vezes, o próprio álbum é disponibilizado. Vez por outra, um livro ou DVD, mas o forte mesmo é a discografia.

A agenda de shows já me fez descobrir coisas como Hans Koch e Eke Trio tocando bem perto de casa, no Centro Cultural São Paulo. Não satisfeito em divulgar o que precisa ser divulgado, Fabrício faz questão de publicar sempre uma mini-biografia de quem está para se apresentar por aqui. Foi assim com Pharoah Sanders e o novo quarteto de Ivo Perelman – aliás o blog abre os trabalhos com um post exatamente sobre Ivo. E não foi diferente com Ornette Coleman, que tocou no mesmo palco do SESC Pinheiros onde o Filho caminhou. Esse, infelizmente, não pude conferir. Ainda vou me arrepender disso.

Já o show de Ken Vandermark, também devidamente divulgado no blog, não perdi. Nem poderia, tendo acontecido na já tradicional Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo.

Entrevistas com gente do ramo também não faltam, inclusive do free som local. Gente do ABC por exemplo, que, brasileiros que somos, fazemos questão de ignorar. A série sobre free argentino é outro exemplo do quanto existe de som para ser explorado mais perto do que se imagina.

Sobrou até para nós: além de uma breve resenha de Shishogan logo no segundo post, recentemente rolou uma entrevista com o Supersimetria.

 

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